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Explicando o que será o nono cd e o que será o décimo cd.

No início do ano, abrimos a pré-venda do que seria (!) o nono cd. No meio do caminho, surgiu a ideia de lançar um material que ainda não estava pelas plataformas digitais. “La Guapa Payola” é consequência de quase uma década (2001-2009) buscando adequar supostos “singles” para programações de variadas rádios. Esse veículo simbolizava uma espécie de sol para as pretensões de vida e sobrevida de qualquer artista. A “façanha” de entrar na programação de uma rádio Mix ou Pan, podia representar a conquista de uma condição muito mais confortável e agitada na agenda de shows. O número de execuções de uma faixa determinava a posição da música num ranking diário. Então, se a mesma canção pudesse tocar simultaneamente numa rádio de perfil adulto e numa jovem, melhor ainda.  Foi assim que meu trabalho foi parar no topo da lista durante o breve período em que estive na EMI. Essa liderança na crowley era um desejo, uma necessidade das gravadoras travando frenéticos embates. Meu repertório possibilitava esse passeio até tranquilo por variados perfis com alguns ajustes nos arranjos das canções. (Isso era bom e ruim ao mesmo tempo. Sempre ouvi que o trabalho era “barulhento” demais para as rádios adultas e “sofisticado””demais para as rádios jovens.) Havia o diretor artístico de uma rádio que não podia ouvir uma guitarra em qualquer música. Era extirpar a “praga” do arranjo e substituir pelo violão. Talvez por trauma de infância. Vai que o pai do sujeito deu com uma guitarra na cabeça dele enquanto ele mamava. Talvez por querer e não conseguir tocar a porra da guitarra. O fato é que música nacional não entrava na programação da importante rádio com guitarra pintando no arranjo. Sim. Nacional. Ninguém pediu pro U2, pro Coldplay ou para a Rihanna, uma versão “desguitarrada”. Internacionais podiam gravar uma canção com solos de peidos e estaria tudo lindo e cheiroso. Então a coisa funcionava mais ou menos assim: “A rádio é minha. Toco aquilo que meus ouvintes querem ouvir.” Sim. Havia essa postura “humilde” de “eu sei o que funciona e não funciona. Eu sei o que querem. Querem o que eu quiser.” Cheios de egos, melindres, arrogância, pitacos perdidos no campo da teoria sem fundamento, palpites furados de cunho musical, embora não soubessem tocar um lá maior. “Mude todo o conceito de sua música. Esqueça tudo que você fez. Coloque agora uma harpa paraguaia que é “tendência” no lugar do teclado e TALVEZ eu aceite que você fique me devendo alguns shows, talvez eu aceite que você me dê viagens caras de promoção para meus ouvintes, brindes diversos para que eu faça o grande favor de tocar essa merda de música. Quer? Ótimo. Não quer? Tem fila de gente querendo me pagar. Escolho quem merece a graça de poder me pagar.”   Naquela década, eu ainda tinha disposição e estômago pra tentar jogar o difícil jogo. Queria MUITO conseguir me consolidar num mercado que ia mudando drasticamente, na velocidade da internet. Tentava ter a segurança de uma boa agenda de shows. Claro que estar nas rádios era ampliar público e contratantes interessados pelo Brasil. Quando determinada rádio me pedia uma versão, quase sempre eu ficava contrariado com aquilo. Achava que a canção lançada no CD deveria bastar. Era meio como se um malandro entrasse numa galeria de arte e mandasse jogar mais tinta amarela em determinada tela já finalizada e exposta. Ainda assim, já que era pra fazer, buscava entender o perfil do público e caprichar. Havia uma margem de tolerância para solicitações. Se o que pedissem ultrapassasse meus limites, escolhia abortar a missão. E assim foi feito algumas vezes. Nem sempre esse exercício funcionava tão bem. Algumas coisas soavam excessivamente forçadas. Nunca guardei as sessões até porque nunca imaginei que essas faixas pudessem resultar num produto. Hoje, escuto tudo com ouvidos saudosos. Cada faixa me traz recordações agradáveis dos momentos, períodos e músicos que ali estão. Quanta gente querida e talentosa contribuiu. Vejo um artista que ainda lutava esperançoso (e ingênuo) por uma condição mais confortável. Nasci no Rio de Janeiro, mas morei em São Paulo por mais de vinte anos. Voltei a morar no Rio em 2007. Acho divertido observar o meu sotaque esquisito em algumas faixas. Quase não me reconheço nesse sentido. Me reconheço no esmero e na busca pelo melhor possível desde sempre. Ainda que o gatilho fosse algo que eu não concordasse. Achava sempre um desaforo ter que ajustar (?) uma canção por conta de caprichos de um sujeito que estava pouco se fodendo para a música, que na real, acabava funcionando como pretexto para seus “acordos comerciais”. Por eu não ter guardado esse material, André Dias ralou muito nessa masterização. Tive a falta de vergonha na cara de entregar arquivos mp3 sarapas, bem toscos, comprimidos e ele conseguiu recuperar dinâmicas. Deixou tudo soando muito bem. Realizou verdadeiros milagres. Agora esse material fica em caráter oficial pelas plataformas digitais. Como um documento, um registro. Fazem parte de minha trajetória. Da luta danada que segue até hoje, ainda que transitando por caminhos bem diferentes. Nesse pacote, entram de gaiato as três faixas do Renato Russo e a do The Cure. As do Renato, nem escolhi as canções. Foram escolhidas pela direção do programa Som Brasil da Rede Globo. Já o “Boys don’t cry”, foi uma encomenda da Som Livre. Me disseram que eu poderia gravá-la como eu quisesse que entraria numa novela. Liberdade total. Dito e feito. Fiquei cabreiro. Se eu gravasse em ritmo de salsa, entraria também? Pelo visto, sim. Muito louco isso. Sei que -finalmente- estava com uma música numa novela global embora não fosse de minha autoria. Então, aproveite que você vai escutar o “La Guapa” e preste atenção em “Tal do Amor” na versão “Formidable” por exemplo. Depois me diga: Como é que essa música nunca tocou em novela, em rádios? Tenho essa resposta. Muchas respuestas. Por supuesto.
             Claro que o que seria o nono trabalho lançado, virou o décimo cd. E o que será esse trabalho? Selecionei algumas canções do musical que venho desenvolvendo e lapidando faz uns 5 anos. Os resultados obtidos acontecem em progressão geométrica crescente. Algumas pessoas viram no início de 2015, uma etapa do tryout, “Cinza”, que ainda era um singelo girino meio perdido na vida. Hoje, SEI que existe um portentoso sapo cururu que ignora príncipes e adora cantarolar lindas melodias, reinando num lago maneiro pra cacete. Além desse trabalho que vou lançar em breve, futuramente espero gravar o material com a participação de vários colegas, além do cd com o elenco original cantando a trilha completa. Devo lançar tb o libreto para que as pessoas escutem podendo contextualizar, embora as canções escolhidas possam sobreviver sem isso. Por sinal, esse foi meu critério. Algumas trazem diálogos que vou cantar sozinho, mas funcionarão. É isso. Já estou na luta para que o trabalho aconteça de forma muito digna, apesar das severas restrições financeiras. Vai dar tudo certo. Até breve.

 Tk Care

  J.

 

 

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Sobre “Canções de Exílio”. O oitavo cd.

Se vc está lendo isso, talvez goste da notícia> o oitavo cd vem aí. Finalmente!!! “Canções de Exílio”. Sim…apenas o oitavo. Início de carreira…rsrs… Uma média de um lançado a cada 2 anos desde o primeiro – “Nem tão são ” – em 2000. Poderia ter lançado mais trabalhos se não tivesse sido escrotamente enrolado por gravadoras e empresários pelo caminho e não tivesse optado por me dedicar e me concentrar nos musicais nos últimos anos. Não foi um tempo em vão e não me arrependo de forma alguma. Amo escrever, compor para musicais também. Farei sempre.Agora aprendi que é possível conciliar. E sei que em algum momento , estarão todos em cartaz.Num futuro próximo, inevitavelmente vão precisar muito de material original bacana….mas voltando ao cd, mais uma vez, produzido brilhantemente pelo Moogie Canazio.

           A capa é simples: Meu rosto. Uma foto feita por Renato Pagliacci. Ok…o famoso e eficiente clichê “o artista vai lançar um cd e mete a cara na capa”. Pronto. Mas dentro dessa simplicidade, há uma comunicação precisa. Traduzindo visualmente o conteúdo, teor, a proposta musical. Há um diálogo com a essência do que a pessoa encontrará ao escutar “Canções de Exílio”. O olhar é naturalmente meio psicopata “Alex DeLarge”, meio debochado e ao mesmo tempo, doce, melancólico… E o trabalho, não só nesse novo cd como em todos,  é exatamente assim. A maquiagem feita por Sabrina Sanm tem um lance meio cubista-Picasso, meio surrealista-Miró… Acho o resultado bonito…e o bacana é que beleza tem uma relação estreita com simetria. Ela fez um desenho assimétrico. Traços que brincam justamente deslocando algumas proporções e percepções… E curiosamente, fica interessante, agradável. Pelo menos pra mim..rsrs.

        O cd começa com Quantos Tantos.  Aborda comportamentos corriqueiros pela internet. A cibercultura gotejando o sêmen de certas (patéticas) papagaiadas. A minha brincadeira nessa faixa é apresentar uma letra que subverte a estrutura da composição pop sem enfraquecer a canção. Na parte A, repito a letra ( coisa que costuma acontecer no refrão) …e quando vai pro refrão, mudo a letra ( coisa que costuma acontecer na parte A) . Na parte C, grandes nomes são citados. Mas o alvo da espetada EVIDENTEMENTE não está neles e sim na profusão  e subseqüente banalização de um procedimento muitas vezes bisonhamente fora de contexto. Frases sensíveis….   

Tudo que não era esgoto é a segunda faixa. Ápice e mais emblemático discurso dessa sensação de exílio. Música densa, intensa e não é um arranjo “porradaria” embora vigoroso. E a metralhadora gira legal. Ra-ta-ta-ta…rsrs

Canção do Exílio Domiciliar. Complemento conclusivo do discurso da faixa anterior. “Pouco” assim… e o que vamos fazer?  “Não sei….”

Nada melhor do que seguir com Boneco de Vodu.  Por favor… Não confundir eu lírico e autor (moi…kkk). A última frase da canção revela bem a personalidade do personagem que canta aquilo tudo.Sei que vão confundir… Outro dia, alguém me perguntou se quando canto em EDUCN “Confio no seu faro”, estou falando de Rodrigo Faro. Está difícil..rs.. Cada vez mais….

Outrora – E a vida passando… Daquelas que decolam. Já imagino ela rolando lindamente nos shows. Que ansiedade…rs

Possibilidade. … Explodir tudo/todo se já não caibo… Uma explosão figurada, please…rs… e os pedaços em Slow Motion.. Voando pelo exílio.

Como quem não quer nada. COMO quem não quer nada??? “Pau no cu do finado rio doce, passa pra cá meu abadá, bora celebrar, beber, cair e levantar”. Faixa pra Mundiça gritar o refrão nos shows…Não vejo a hora.

Hematomas da Teima … “Quando me pega pra Cristo, posso perdoar por não ser crucificado pela compaixão.”.. Melhor assim..

Legítima defesa.. É a seqüência de “Estrela de um céu nublado”. Mais uma vez (!) com a participação incrível de Megh Stock. Essa é a parte 3. ( a parte 1 e a parte 4 já estão prontas…  Só gravar…EM BREVE!) ..  Essa história agora já bateu “Faroeste Caboclo” em tamanho quando juntamos os dois.kkk.. E é claro que serão apresentadas assim nos shows. Nesse episódio, o mote é menos verossímil (embora absolutamente factível) e ao mesmo tempo, marca mais “onde e quando” estamos.Porém, a frase final tb antecipa o que virá por aí no episódio IV… que poderá justificar o mote “fantástico”… Aproveito mais uma vez a narrativa pra descascar “panaquices” corriqueiras no universo desse meu “metiê”…. o “showbiz” .uuui… kkk..

Baudaluv  Um final doce… Mas sem excessos… Diabéticos podem curtir sem perigo algum….rs..

São dez faixas dessa vez. Não por opção…Mas por uma questão de tempo e dinheiro. Não escolhi “as dez melhores”, até pq nem saberia fazer isso. Gosto de tudo que tenho aqui igualmente.MESMO. Se não gosto, elimino, descarto. Foi um lance meio aleatório. Joguei pra cima e peguei algumas…rs.. Tenho muito material.. Quero gravar mais e mais..e logo. Amo isso.Talvez utilize o crowdfunding para conseguir viabilizar.  Bora combinar um lance? Se vocês gostarem de “Canções de Exílio”,  me ajudem lá depois, ok?! Aguaaaardeeem. Bjos. J.

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Fuzarcando

Quando me dei conta de que deveria filtrar, medir bastante cada palavra para evitar confusões na Fuzarca, entendi que a essência era comprometida, duramente atingida e perdi o interesse. Ainda não sei como vou usar o espaço. Espero que seja evitando polêmicas. Será que consigo?! rs   Vamos ver…

Tk care

 

J.

 

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